Por Ana Tomazelli:
Do protagonismo religioso ao protagonismo político, a face pública do matrimônio oficial mais conhecido de todos tem psicanálise, religião e uma boa dose de controvérsia contemporânea – o tempero preferido dos desafetos partidários de plantão.
Você já deve ter ouvido a máxima “por trás de um grande homem há, sempre, uma grande mulher” na intenção de dar os créditos de algum sucesso a ela, ainda que, para todos os efeitos de reconhecimento, as felicitações se dirijam a ele. Não faltam exemplos de como o lugar público – notadamente a esfera política – se molda nessa narrativa assimétrica entre gêneros que tem uma de suas origens no campo religioso. Talvez, a maior delas.
Afinal, quem também nunca ouviu que o homem é a cabeça da mulher e da casa, sendo a mulher orientada a se sujeitar a seus maridos, em alusão a Efésios, 5:22-24 Esta imagem se materializa quando nos dedicamos a analisar a dinâmica entre chefes de Estado e suas esposas, nomeadas individualmente como “primeira-dama”, termo que teria nascido nos Estados Unidos entre 1849 e 1850 segundo Medeiros (2012). Não há um consenso oficial a respeito da origem do verbete que, atualmente, é estudado enquanto fenômeno social. Há, contudo, o entendimento majoritário, pavimentado pela instituição americana FirstLadies.org, de que a esposa de James Madison (4º Presidente dos Estados Unidos), Dolley Payne Todd Madison, foi a primeira a comportar-se de maneira a extrapolar os muros domésticos, atuando como captadora de recursos (fundraiser), dedicando-se a relacionamentos com pessoas da esfera social e, finalmente, estabelecendo uma relação com as freiras de uma escola católica, consolidando sua imagem externa para além das questões da casa e dos filhos.
Desde então, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, é possível traçar paralelos entre a posição de primeira-dama e sua atuação para a caridade a partir de uma postura religiosa explícita; porém, sem efeitos diretos na política até a reta final do século XX, nas articulações e decisões de Estado. É o que nos conta Dayanny Deyse Leite Rodrigues em sua tese de Doutorado intitulada “Primeiro damismo no brasil: uma história das mulheres na cultura política nacional (1889-2010)” pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás, na qual descreve, minuciosamente, os percursos das primeiras-damas no país, destacando o fato de que, ainda que a maioria das mulheres alçadas a esposas fossem provenientes de famílias ricas, religiosas e com atuação política, elas, ao se casar, em geral começavam a ter filhos – reforçando seu papel intramuros, podendo chegar a ter 12 crianças sob seus cuidados, como Guilhermina Pena, esposa do Presidente Afonso Pena, que se casou aos 17 anos e se tornou primeira-dama aos 49 (Rodrigues, 2021).
No entanto, não é só na história contemporânea que encontramos mulheres, companheiras de governantes ou homens de poder, a exercer alguma influência social, econômica ou política. Para este recorte, a religião nos brinda com duas personalidades que nos convidam a fazer paralelos e refletir a partir do complementarismo: as esposas de Pilatos e Herodes, cada uma em sua perspectiva, produziram impactos em suas respectivas épocas, ainda que não tenham alçado destaque histórico.
Minha hipótese é a de que a posição de primeira-dama vem sofrendo transformações para além das questões de gênero, ainda que incorpore, em si, aspectos religiosos e teológicos acerca do papel da mulher na posição de companheira formal de um homem que lidera politicamente uma nação. A religião forneceria, portanto, um pressuposto ético para as ações das primeiras-damas, funcionando como um constructo que une os setores da sociedade e reforça o capital político do governante a partir de posições ideológicas não-aleatórias. A psicanálise seria um outro recurso de entendimento dos dispositivos relacionais, a partir dos conceitos de projeção[1] e introversão[2] desenvolvidos por Freud, principalmente entre 1916 e 1923, no qual se poderia elucubrar a respeito das dinâmicas internas entre o casal considerando os elementos presentes a imagem pública construída, tomando como referência a narrativa de imprensa acerca da atuação feminina na condição de primeira-dama.
Portanto, este capítulo pretende produzir uma compreensão mínima histórica acerca da atuação das Primeiras-damas no Brasil, proporcionar uma visão esquemática religiosa acerca das duas esposas bíblicas e suas atuações para, finalmente, apresentar as principais características do complementarismo em diálogo com um recorte psicanalítico, tendo o objetivo de identificar suas variáveis históricas e contemporâneas. A intenção é articular caminhos e propostas de acompanhamento e leitura dos desdobramentos futuros no cenário político a partir da atuação das primeiras-damas do Brasil.
Uma perspectiva histórica da atuação de uma primeira-dama
O Brasil registra sua primeira configuração que contemple uma primeira-dama no ano de 1889 com Mariana da Fonseca, esposa de Deodoro da Fonseca, que governou o país de 15 de novembro de 1889 a 15 de novembro de 1891. Desde então, até meados da década de 90, o que temos, no país, é a função social atrelada à postura religiosa em 24 das 38 primeiras-damas nacionais, começando, mais ativamente, com Anna Gabriela Campos Salles, em 1898. No entanto, apenas três destas 38 mulheres desempenharam algum papel político não-relacionado a condições religiosas de caridade, sendo a primeira Carmela Dutra, em 1946.
Um outro ponto importante está nos eixos de titulação profissional e atuação prévia à posição pública: apenas três possuem diploma universitário, sendo a primeira a Profa. Dra. Ruth Cardoso, que se tornou primeira-dama em 1995. Além disso, apenas cinco exerciam algum trabalho remunerado antes de ocuparam este que passou a ser chamado de cargo: Nair de Teffé (caricaturista), Carmela Dutra (professora), Ruth Cardoso (antropóloga e docente), Michelle Bolsonaro (atuação em lojas e no serviço público) e Rosângela Lula da Silva (socióloga). Marcela Temer, apesar de possuir formação em Direito, não atuou na área, dedicando-se ao cuidado do filho, à agenda oficial e algumas ações sociais.
Para este trabalho, a partir do contexto introdutório apresentado, vou buscar na noção de complementarismo (Pipper & Grudem, 2012) algumas variáveis a fim de verificar se (e o quanto) a lógica relacional e o lugar da primeira-dama obedece a critérios encontrados nesta teoria teológica no que diz respeito a papéis de gênero desempenhados na face pública do matrimônio oficial entre um presidente da república e sua esposa.
Além disso, pretendo articular os conceitos de projeção e introversão da psicanálise freudiana para poder explorar se e como o presidente projeta seus próprios conflitos e características não resolvidas na dinâmica de poder com sua esposa. Da mesma forma, poderíamos examinar se a primeira-dama introjeta aspectos do papel presidencial em sua própria identidade e como isso afeta a relação; além de avaliar como isso é visto e classificado pelo público em geral, no senso-comum produzido a partir das redes sociais e da imprensa.
Sempre há de haver uma mulher no posto de primeira-dama
O Brasil contabiliza, no total, 39 Presidentes, sendo apenas uma vez a posição ocupada por uma mulher – Dilma Roussef. Portanto, são 38 mulheres a ocupar o posto de primeira-dama, mas, contrariando o entendimento compulsório de que se trata sempre da esposa, três filhas estiveram nessa função: Catita e Marieta Alves, filhas de Rodrigues Alves e Antonietta Castelo Branco, filha de Humberto Castelo Branco.
Sendo filhas ou esposas, seu rol de obrigações era o mesmo. Wesley Ribeiro Carvalho Pimenta (2016) em sua dissertação de Mestrado intitulada “A ‘primeira-dama’ no exercício do poder: a dominação ‘doméstica’ do Estado” para o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social da Universidade de Montes Claros, vai dizer:
O poder em torno da figura da primeira-dama reflete o jogo de interesse político da família na condução do Estado. Compreende-se a partir da leitura de Bourdieu (2010) acerca do capital político, que a instituição da função simbólica da mulher primeira-dama na política é o nítido aparelhamento do Estado, legitimando uma estrutura patrimonial da administração pública, em detrimento dos interesses domésticos e da intimidade privada. (p. 93)
Importante ressaltar, aqui, que o posto de primeira-dama não é algo oficializado, do qual conste um rol de atribuições formais e que, portanto, vem sendo constituído organicamente ao longo do tempo, com atuações externas dependentes da personalidade da mulher que ocupa o posto. Das 38 já registradas, 14 não desenvolveram, por exemplo, nenhum conjunto de ações relevantes para além de acompanhar seus esposos/pais em viagens oficiais ou preparar a casa para receber chefes de Estado – obrigações que estariam “na base” do que se espera delas.
Foi com a católica Orsina da Fonseca, oitava Primeira-dama do Brasil em 1910, que, pela primeira vez, a companheira de um Presidente se envolveu em questões sociais na defesa do voto feminino. Embora sua passagem tenha sido breve, abriu caminho para Maria Pereira Gomes, católica, esposa de Venceslau Brás, ser a presidente do comitê de mulheres da Cruz Vermelha do Brasil e ajudar no acolhimento e auxílio às vítimas da gripe espanhola, prestando assistência às famílias.
No entanto, o assistencialismo se formaliza com a católica Mary Pessoa, esposa de Epitácio Pessoa que, a partir de 1919, funda a Casa de Santa Ignez para cuidar de vítimas da tuberculose – especificamente as trabalhadoras domésticas. Mas foi Darcy Vargas quem se tornou referência na área social, institucionalizando a atuação nessa posição com a criação da Legião Brasileira de Assistência – LBA (1942) que tinha o objetivo de dar suporte às famílias dos soldados enviados à Segunda Guerra Mundial, sendo seu maior legado e tendo a instituição sobrevivido até 1995, quando Ruth Cardoso encerra as atividades após os escândalos de fraude envolvendo Rosane Collor de Melo.
Luzia Linhares, Carmela Dutra, Jandira Café, Sarah Kubitscheck, Maria Thereza Goulart, Antonietta castelo Branco e Yolanda Costa e Silva, todas católicas, seguiram o mesmo caminho: trabalho doméstico, cuidado com os filhos, aparições públicas e liderança de ações sociais junto à LBA e iniciativas mais discretas pelo país.
Em 1979, Lucy Geisel, esposa do então presidente Ernesto Geisel, teve um centro social inaugurado em sua homenagem em Arapongas, no Paraná. A homenagem gerou desconforto político, mas foi mantida por decisão do próprio Geisel, que defendeu a iniciativa apesar das críticas. Sua sucessora, Dulce Figueiredo, católica, renuncia ao comando da LBA e cria o Programa Nacional de Voluntariado, além de outras iniciativas mais regionais.
Mas é Marly Sarney, católica, que “encarna” a figura ideal da primeira-dama: reconhecida como discreta e sempre muito reservada, recebeu homenagens diversas. Dentre elas do Senador Antônio Leite (PMDB-MA):
Longe dos holofotes e das badalações, no silêncio e no recolhimento de sua personalidade, Dona Marly tem a dimensão do sublime, consciente da importância de sua presença, sem palavra, manifestação de desagrado ou exuberância diante do poder. (Senado Federal, 2005)
Com Rosane Collor, em 1990, a LBA enfrenta graves acusações de fraude com escândalos na imprensa e uma grande discussão religiosa envolvendo denúncias de feitiços realizados em religiões de matriz africana. Rosane se torna evangélica 13 anos depois do impeachment de Fernando Collor.
É apenas em 1995, contudo, que o país tem uma mulher com diploma universitário ocupando a cadeira de Primeira-dama: a católica Ruth Cardoso, antropóloga e docente universitária, manteve suas atividades profissionais preservadas, atuou em frentes sociais relevantes e tornou-se uma influência política (ainda que discreta), modernizando o assistencialismo no país e ganhando assento como Coordenadora do Conselho Assessor do Banco Interamericano de Desenvolvimento para assuntos relacionados à mulher.
Sua sucessora na cadeira, Marcela Temer (sem religião declarada / documentada), atuou na frente de voluntariado e em iniciativas para a infância, mas ficou famosa ao ser elogiada com a imagem de “Bela, Recatada e do Lar” em 18 de Abril de 2016 pela Revista Veja[3] e chegou a ser considerada a primeira-dama mais bonita do mundo, figurando no rol das mais bonitas de todos os tempos, juntamente com Jaccqueline Kennedy Onassis, Melania Trump e Angelia Rivera.[4]
Em 2019, a evangélica da Igreja Batista Atitude, Michelle Bolsonaro, chega ao posto seguindo a postura “Deus, Pátria e Família” de seu esposo, sendo a primeira a participar do discurso oficial de posse, utilizando a Língua Brasileira de Sinais. Michelle não possuía uma atuação política explícita por regra, mas era recrutada sempre que era preciso recuperar a confiança junto às mulheres e este movimento foi verificado no período de disputa pela reeleição de seu marido em 2022.
Até que, em 2023, Rosângela Lula da Silva (Janja), declaradamente adepta de religiões de matriz africana e afro-brasileiras, socióloga, assume a coordenação da Rede de Inclusão e Combate à Desigualdade da Organização dos Estados Ibero-americano no Brasil, além de ter atuação política direta em articulações, reuniões, organização de movimentos junto a jornalistas e influenciadores digitais, subvertendo os três grandes eixos transversais descritos até o momento: a) predominância de denominações cristãs na postura e no discurso das primeiras-damas; b) dedicação às tarefas domésticas e cuidados com os filhos com atuação externa reservada apenas aos aspectos sociais de caridade; c) discrição em posturas, roupas, declarações e aparições independentes da agenda presidencial.
Quem não se lembra do beijo de língua na posse, em janeiro de 2024?
Não à toa, Janja começa a causar desconforto no Estado que se nomeia laico.[5] Mas que é tudo, menos isso.
A laicidade não é um território exclusivo das primeiras-damas: a esposa de Pôncio Pilatos e a esposa de Herodes, ambas envolvidas nos eventos de morte em lados opostos
A posição de companheira pública daquele que detém o poder não é uma invenção dos últimos séculos. Muito antes disso, mulheres já desempenhavam papéis análogos, com características e funções semelhantes. Para ilustrar, trago duas figuras que, ainda que não sejam amplamente conhecidas por seus próprios méritos, são indiscutivelmente lembradas pelas trajetórias ligadas a seus parceiros – estes, sim, sempre reconhecidos pelo nome, sem causar surpresa alguma.
Comecemos por Pôncio Pilatos. Aquele, que lavou as mãos. Esse mesmo.
Não existe um consenso acadêmico sobre a identidade da mulher de Pôncio Pilatos, o governador romano da Judeia durante o primeiro século d.C. (depois de Cristo). A Bíblia não fornece o nome da esposa de Pôncio Pilatos, tampouco detalhes significativos sobre sua vida pessoal. Portanto, qualquer informação sobre sua esposa é geralmente baseada em especulações ou lendas posteriores, reinando o entendimento de que a postura supostamente pagã da mulher buscou interferir em um julgamento na perspectiva da defesa da justiça, quando aconselha o marido a evitar o julgamento de Jesus. Aparentemente, uma postura controversa, considerando o fato de que ela não professava e nem defendia aspectos religiosos da época.
Ainda assim, algumas tradições cristãs e textos apócrifos mencionam uma mulher chamada Cláudia Prócula como a esposa de Pôncio Pilatos. No entanto, a historicidade desses relatos é questionável e carece de apoio sólido de fontes históricas confiáveis. A Bíblia menciona a esposa de Pôncio Pilatos em apenas uma passagem, que se encontra no Novo Testamento, no Evangelho de Mateus 27:19:
Enquanto ele estava sentado no tribunal, sua esposa mandou dizer-lhe: “Não te envolvas com esse homem justo, porque hoje sofri muito em sonhos por causa dele”. (Bíblia Sagrada, Nova Versão Transformadora, Mateus 27:19, p. 1319).
Essa breve passagem sugere que ela teve um sonho perturbador relacionado a Jesus Cristo e advertiu seu marido para não se envolver na condenação de Jesus, a quem ela considerava um homem justo.
Ainda que não haja maiores referências, a passagem é notável por algumas razões, como o elemento literário, em que a menção da esposa de Pôncio Pilatos no Evangelho de Mateus é vista como um elemento literário que enfatiza a justiça de Jesus e a relutância de algumas pessoas, incluindo a esposa de Pilatos, em condená-lo. Essa referência pode ser usada para destacar o caráter justo de Jesus e a falta de justificativa para sua crucificação.
Outro destaque é a condição da consciência, pois a menção do sonho perturbador da esposa de Pôncio Pilatos, que a levou a advertir seu marido sobre Jesus, é vista como uma forma de destacar a consciência perturbada de Pilatos em relação à condenação de Jesus. Isso pode servir para enfatizar a ideia de que Pilatos estava ciente da possível injustiça de suas ações.
Por outro lado, a mulher de Herodes tem nome e maior destaque. Herodias desempenhou um papel importante nos eventos narrados no Novo Testamento da Bíblia. Herodias era originalmente casada com Herodes Filipe I, que era meio-irmão de Herodes Antipas e, mais tarde, ela deixou Herodes Filipe I para se casar com Herodes Antipas, que era tetrarca da Galileia e da Pereia. Essa união era considerada escandalosa e ilícita aos olhos de muitos, incluindo João Batista, que condenou abertamente o casamento.
Ou seja, ela já começa subversiva. Gostamos.
Herodias é mais conhecida por seu papel na morte de João Batista. De acordo com os relatos bíblicos, especialmente nos Evangelhos de Mateus e Marcos, Herodias guardava rancor contra João Batista por denunciar seu casamento com Herodes Antipas. Ela encontra a oportunidade de agir contra João Batista durante a celebração do aniversário de Herodes. Nesse evento, a filha de Herodias (geralmente identificada como Salomé) dançou para Herodes e seus convidados, o que agradou tanto Herodes que ele prometeu dar-lhe o que ela pedisse. Influenciada por sua mãe, Salomé pediu a cabeça de João Batista em uma bandeja, um pedido que Herodes, embora relutante, cumpriu.
Esse episódio é um dos mais dramáticos do Novo Testamento e mostra a influência e a manipulação exercidas por Herodias dentro do círculo de poder de Herodes Antipas. Herodias é frequentemente vista como um exemplo de vingança e intriga na tradição cristã, mas a importância dela no contexto histórico da época está principalmente ligada ao seu papel na dinâmica política e social da Judeia sob o domínio romano. Suas ações e influência refletem aspectos significativos da cultura, política e relações de poder naquela região durante o primeiro século, como as relações dinásticas e políticas: Herodias, ao se casar primeiro com Herodes Filipe I e depois com Herodes Antipas, ambos membros da dinastia herodiana, desempenhou um papel importante na política interna dessa família influente. Seus casamentos são exemplos das complexas alianças e rivalidades dentro da citada dinastia, que tinha um papel crucial no controle e governança dos territórios judeus sob a supervisão romana.
Além disso, podemos propor uma análise sob o aspecto da influência feminina em um mundo patriarcal, pois Herodias destaca-se como uma mulher que exerceu uma influência significativa em um contexto predominantemente masculino. Sua capacidade de influenciar decisões importantes, como evidenciado pelo episódio da morte de João Batista, mostra que, apesar das restrições sociais e culturais da época, algumas mulheres conseguiam exercer poder e influência, especialmente dentro de suas próprias famílias ou cortes, mas isso não impedia os conflitos religiosos e culturais: a condenação do casamento de Herodias por João Batista e a subsequente vingança da mesma ilustram os conflitos religiosos e culturais presentes na Judeia do primeiro século. Esses conflitos muitas vezes envolviam líderes judeus e figuras do estabelecimento herodiano, refletindo as tensões entre tradições judaicas e influências helenísticas/romanas.
Também é possível enxergar um legado histórico cristão na figura de Herodias. No cristianismo, sua participação na morte de João Batista é frequentemente evocada como um símbolo de imoralidade, vingança e das trágicas consequências da manipulação política e pessoal. Essa narrativa moldou a percepção de Herodias tanto na tradição cristã quanto na cultura popular. Mais do que por suas ações concretas, a relevância de Herodias está no que ela representa dentro das dinâmicas sociais, políticas e religiosas do Novo Testamento. Sua trajetória revela as complexidades e desafios vividos pela sociedade judaica sob o domínio romano, oferecendo um retrato da interação entre poder, gênero e religião nesse contexto histórico.
Mas ela se tornou somente a vilã. Não gostamos.
Nenhuma das duas personalidades – a mulher de Pilatos ou a mulher de Herodes – podem ser consideradas como “primeiras-damas” no sentido moderno do termo, pois o título de “primeira-dama” geralmente se refere à esposa do chefe de Estado em um governo democrático, como um presidente ou um primeiro-ministro. Pôncio Pilatos era um governador romano na província da Judeia durante o primeiro século d.C., e seu cargo não era equivalente a um chefe de Estado em uma democracia contemporânea, bem como a posição de Herodes.
Além disso, o título de primeira-dama é uma convenção moderna que não se aplicaria ao contexto político e social das épocas. No entanto, é possível traçar paralelos sob os aspectos que aproximam as realidades e, mais do que isso, a partir do conceito de complementarismo.
O complementarismo a serviço do entendimento da lógica da primeira-dama
O complementarismo é uma visão teológica sobre os papéis de gênero dentro dos contextos sociais, do casamento e da igreja. Este conceito é, primariamente, discutido em círculos cristãos, especialmente entre os evangélicos, mas ultrapassou as fronteiras religiosas e tem se tornado ferramenta auxiliar de compreensão das dinâmicas relacionais em diferentes esferas.
A ideia central desta teoria defende que homens e mulheres foram criados por Deus com diferenças inerentes (comparadas a “naturais”), pessoais e intransferíveis que, quando unidas em um relacionamento de mútuo respeito e amor, complementam-se para cumprir o propósito divino. Portanto, cada um possui sua determinada função, não somente biológica, mas social, reverberando em sua função no mundo, a saber: os papéis de gênero são distintos e intencionais. Homens e mulheres têm papéis e responsabilidades diferentes na família e na igreja, de acordo com a Bíblia. No contexto do casamento, o homem é visto como o “cabeça”, responsável pela liderança e proteção da família, enquanto a mulher tem o papel de “ajudadora”, apoiando e complementando o homem. Isso não significa inferioridade da mulher, mas sim uma diferenciação de funções (Piper & Grundem, 2012).
O principal aspecto desta teoria vai se relacionar à ocupação dos postos de liderança. Em igrejas estritamente complementaristas, as posições de liderança principal (como pastores titulares ou anciãos) são exclusivamente reservadas para homens. As mulheres podem ter papéis de liderança secundários em outros ministérios que apoiem a função principal (como ministério infantil, feminino, entre outros), mas nunca ensinam ou têm autoridade sobre homens adultos.
Nunca estão no comando ou na voz principal.
Ao avaliar a atuação das primeiras-damas ao longo da história e os lugares reservados a elas, ainda que tenham exercido influência sobre seus maridos, notadamente suas funções são secundárias, de liderança indireta e amplitude restrita, sendo responsáveis pelo cuidado de mulheres, crianças, idosos e populações vulneráveis em geral.
A visão religiosa se faz presente, muito embora o Estado seja classificado como laico, sempre que uma mulher, ainda que ocupando a posição de primeira-dama do país, seja criticada, questionada ou julgada por possuir pensamentos autônomos e ações independentes, fazendo com que apenas as belas, recatadas e do lar sejam merecedoras de admiração pública.
E isso tem tudo a ver com psicanálise.
A heterossexualidade na berlinda
A professora Beatriz Santos, que leciona desde 2016 no Departamento de Estudos Psicanalíticos da Université de Paris escreveu um capítulo intitulado “Imposições sexuais e diferenças entre os sexos: bruxas, femmes seules, solteironas e S. Freud” para o livro “Freud e o patriarcado” (2020) – que, aliás, eu recomendo fortemente depois que você terminar este nosso livro aqui!
Em suma, ela vai discutir um artigo de Adrienne Rich (2003), poeta e ensaísta que vai girar em torno de um conceito batizado de “heterocentrismo não-examinado”:
O texto de Adrienne Rich nos permite traçar os contornos de uma questão importante sobre a existência de um referencial heterossexual que permearia diferentes trabalhos teóricos sobre as vidas das mulheres. Ele lança de maneira até então inédita uma pergunta relevante: poderíamos pensar a heterossexualidade por si mesma coo um instrumento ligado à dominação masculina e participando então da opressão das mulheres? Dito de outro modo, que relação poderia haver entre a escolha de um objeto (heterossexual) e a manutenção de dispositivos de subordinação que instauram uma assimetria entre mulheres e homens no tocante à autonomia e a posições de poder variadas? (p. 304)
E, a partir deste ponto, Beatriz provoca um diálogo com Freud em seu “Algumas consequências psíquicas da diferença anatômica entre os sexos” (1923-1925), majoritariamente enfocando “os destinos da feminilidade derivados de uma escolha de objeto heterossexual” (p. 307) e antagonizando a multiplicidade possível de uma sexualidade (sadia) diante de um “binarismo restritivo que aparece nas teorias da diferença sexual” (p. 24).
Isso é, de certa forma, exatamente o que vemos ao longo da História, se colocamos os óculos religiosos dogmáticos do Ocidente a partir das religiões ditas Abraâmicas: a relação heterossexual entre pessoas cisgênero considerada a única possível – além de compulsória –, estabelecendo a relação de poder em que o masculino exerce a liderança com tomadas de decisão e o feminino dedica-se ao doméstico e ao cuidado dos incapazes – e, claro, também dos capazes por conveniência.
Projeção e introversão são as duas metades de uma relação tóxica entre si
Porém, antes de adentrar essa questão, deixe-me dar um passo atrás para oferecer mais um pedaço de tela à nossa pintura: em “Introdução ao narcisismo”, Freud (1914) introduz a ideia do narcisismo em si e discute a relação entre o ego, o objeto e o mundo externo. Ele explora como os indivíduos podem direcionar sua energia libidinal, como um investimento, tanto para o mundo externo (objetos) quanto para o próprio eu (introversão), de uma forma resumida.
Um pouco mais adiante, em “Conferências introdutórias à psicanálise” (1916-1917), Freud discute, em suas palestras, vários conceitos psicanalíticos, incluindo a projeção. Ele descreve como os indivíduos podem projetar seus próprios impulsos, desejos ou traços de personalidade em outras pessoas, muitas vezes como uma forma de lidar com aspectos inaceitáveis de si mesmos e, aqui, com esses dois primeiros pincéis, está a o começo de uma matemática importante para nós.
Anos depois, em “Além do princípio do prazer” (1920), Freud vai discutir os conceitos de repetição compulsiva/compulsão à repetição. Ele examina como os indivíduos podem ser impulsionados a repetir experiências traumáticas como uma forma de lidar com elas e alcançar uma resolução psíquica. Poderíamos relacionar esse texto também à projeção, por abordar (indiretamente) a maneira como os sujeitos lidam com aspectos indesejados de sua própria psique, estabelecendo a relação perniciosa com um outro (qualquer que seja ele).
Já em “O Eu e o Id” (1923), Freud aprofunda sua compreensão da mente ao distinguir as três instâncias psíquicas: o Eu, o Id e o Supereu. Ele analisa como o Eu — mediador entre as exigências primitivas do Id, as imposições moralizadoras do Supereu e as demandas da realidade externa — lida com esses conflitos incessantes. Para lidar com essas pressões, o Eu recorre a mecanismos de defesa, como a projeção, na tentativa de se proteger da ansiedade gerada ao tentar equilibrar essas forças opostas. A partir dessa obra, o mestre de Viena revela o papel central do Eu como regulador do psiquismo, constantemente tensionado entre desejos, obrigações e limites impostos pela realidade.
Levando em consideração que a projeção é um mecanismo de defesa pelo qual o indivíduo atribui a outra pessoa características indesejadas de si mesmo e que a introversão envolve a canalização de conflitos internos para o mundo psíquico, desconsiderando os desafios externos, a questão da heterossexualidade compulsória ainda não recebe o devido questionamento. Além disso, a noção de complementarismo estabelece papéis bíblicos fixos para os gêneros.
Nesse contexto, no âmbito de um casal presidencial, o presidente pode projetar suas próprias inseguranças ou desejos de controle na primeira-dama. Por exemplo, se ele se sentir ameaçado por sua própria competência ou autoridade, pode transferir esses sentimentos para a esposa, acusando-a de ser incapaz ou tentando controlar suas ações de maneira desproporcional. Isso impediria sua atuação na esfera pública, limitando-a a um papel socialmente mais aceitável e com menor risco para a reputação dele.
Em outro extremo, a primeira-dama poderia utilizar a introversão para lidar com as pressões e expectativas do papel público, buscando refúgio em sua vida privada e em seu mundo emocional. Isso pode se manifestar, por exemplo, através de uma ênfase na família, interesses pessoais ou atividades que proporcionem conforto e segurança emocional, longe dos holofotes da política, uma tônica predominante, conforme observamos até o presente o mento histórico.
O que isso nos conta?
Ao acompanhar os últimos movimentos da primeira-dama Rosângela Lula da Silva (Janja), suas articulações políticas, expressão profissional e ocupação da cadeira como um cargo – inclusive com influência nas tomadas de decisão presidenciais – cabe a reflexão de que ela rompe as fronteiras impostas pelo complementarismo; mas, ao mesmo tempo, suscita a sugestão de que os próximos três anos sejam acompanhados de perto, no sentido de compreender se Janja se apresenta mais como a mulher de Pilatos, que busca por justiça; como a mulher de Herodes, que clama por vingança ou se converte-se em uma terceira persona: aquela que dará início a uma nova configuração da cadeira de primeiras-damas no país.
Ao traçar paralelos contemporâneos, à luz do diálogo entre projeção e introversão, poderíamos arriscar a análise de que Presidentes como Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva se sentem/se sentiram mais seguros de suas posições, competências e autoridade, ao passo que Presidentes como Michel Temer e Jair Bolsonaro podem apresentar traços de insegurança e sentimentos de ameaça a suas próprias reputações, a partir das relações públicas manifestadas por suas esposas e, respectivamente, suas esferas de atuação, com maior ou menos aderência aos elementos do complementarismo.
Em contrapartida, ao analisar figuras antagônicas como Janja e a dupla Marcela Temer/Michele Bolsonaro, é possível extrair reflexões sobre como cada uma lida com as pressões sociais e políticas, além de avaliar o nível de segurança emocional e o alinhamento com suas escolhas pessoais. A defesa intransigente de um único modelo de família, sustentado por uma visão religiosa específica, e o uso recorrente de discursos baseados no medo sugerem uma tentativa de controle. Essa postura parece ocultar a fragilidade por trás de uma máscara que não mais corresponde à pluralidade de expressões do feminino, que hoje se recusa a ser apenas um reflexo, depósito de expectativas ou recipiente para as angústias do masculino.
Provavelmente porque já foi o tempo de a primeira-dama ficar em segundo lugar.
Referências
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Rich, A. (1993). Compulsory Heterosexuality and Lesbian Existence. In: Blood, Bread, and Poetry: Selected Prose of Adrienne Rich. New York: W.W. Norton & Company, p. 23-75.
Rodrigues, D. D. L. (2021). “Primeiro damismo” no Brasil: Uma história das mulheres na cultura política nacional (1889-2010). Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Goiás, Brasil.
Santos, B. (2020). Imposições sexuais e diferenças entre os sexos: Bruxas, femmes seules, solteironas e S. Freud. In: Parente, A. M., & Silveira, L. (Orgs.), Freud e o patriarcado (pp. 197-204). Editora Hedra.
Senado Federal. (2005). Anais da República: Livro 32. https://www.senado.leg.br/publicacoes/anais/pdf/Anais_Republica/2005/2005%20Livro%2032.pdf
[1] Projeção: O conceito de projeção em Freud é um mecanismo de defesa que se refere à tendência de um indivíduo atribuir a outros sentimentos, pensamentos ou impulsos que, na verdade, são próprios, a outrem, mas que ele não consegue ou não quer reconhecer como parte de si mesmo. Em essência, a projeção permite que uma pessoa externalize sentimentos indesejados ou inaceitáveis, evitando assim o confronto direto com eles. Esse mecanismo funciona como uma proteção do ego, ajudando a minimizar a ansiedade que pode surgir da aceitação de aspectos negativos ou conflitantes da própria personalidade. Por exemplo, uma pessoa que sente raiva ou inveja pode projetar esses sentimentos ao acusar outra pessoa de ser hostil ou invejosa. Dessa maneira, ela se livra da culpa ou da vergonha associada àqueles sentimentos, sem ter que confrontá-los internamente. A projeção pode ter um impacto significativo nas relações interpessoais, pois leva a uma visão distorcida dos outros. A pessoa que projeta pode interpretar erroneamente as intenções e comportamentos alheios, o que pode resultar em conflitos e mal-entendidos. Na psicanálise, Freud considerava a projeção como uma forma de lidar com a ambivalência emocional e a ambição. Ele explorou esse conceito em suas teorias sobre a sexualidade e os conflitos psíquicos, relacionando a projeção à formação de sintomas e à dinâmica da transferência em psicoterapia.
[2] Introversão: O conceito de introversão em Freud refere-se a um mecanismo psíquico que envolve a interiorização de sentimentos, impulsos e desejos. Em contraste com a projeção, onde aspectos indesejáveis são atribuídos a outros, a introversão implica uma forma de voltar a atenção para dentro, suprimindo ou reprimindo emoções e desejos que a pessoa considera inaceitáveis ou ameaçadores. A introversão pode ser vista como uma defesa contra a ansiedade gerada pela consciência desses sentimentos. Quando um indivíduo introverte suas emoções, ele pode evitar o conflito e a dor que surgiriam ao confrontar essas questões internamente. Essa defesa, porém, pode levar à formação de sintomas e problemas emocionais, uma vez que os sentimentos não reconhecidos não são resolvidos, mas sim armazenados na psique. Esse mecanismo também pode ser observado em pessoas que tendem a se retrair em situações sociais ou que têm dificuldades em expressar suas emoções. A introversão pode resultar em um estado de isolamento emocional, onde o indivíduo se sente desconectado não apenas dos outros, mas também de seus próprios sentimentos.
[3] https://veja.abril.com.br/brasil/marcela-temer-bela-recatada-e-do-lar acessado em 10/02/2024
[4] https://www.areah.com.br/vibe/mulheres/materia/186363/1/pagina_1/as-8-primeiras-damas-mais-lindas-do-mundo.aspx acessado em 10/02/2024
[5] https://www.metropoles.com/blog-do-noblat/porque-janja-incomoda-tanto acessado em 25/01/2024

Ana Tomazelli é Doutoranda em Ciência da Religião pela PUC-SP, Psicanalista, CHRO e Conselheira de Empresas com foco em ESG. Linkedin TopVoice, TedxSpeaker e Executiva em Recursos Humanos por mais de 25 anos, liderou reestruturações de RH dentro e fora do país. Com passagens pelas startups Scooto e B2Mamy, além de empresas tradicionais e consolidadas como UHG-Amil, Solera Holdings, KPMG e DASA (Diagnósticos da América S/A), Ana também é fundadora do Ipefem – Instituto de Pesquisas & Estudos do Feminino, uma ONG de educação e inteligência em saúde mental baseada em dados para homens e mulheres com foco em masculinidades. Co-fundadora também do Ipecre – Instituto de Pesquisa & Estudos em Ciência da Religião, uma ONG que se dedica a aprofundar o debate religioso por meio de dados, com a intenção de contribuir para a garantia de direitos, mediando conflitos e revisitando a noção de estado laico com políticas baseadas em religião, a fim de contribuir para a promoção da paz mundial.
Ana também é pós-graduada em Recursos Humanos pela FIA-USP e em Negócios pelo IBMEC-RJ. Formada em Jornalismo e Roteiro Audiovisual pela Laureate – Anhembi Morumbi, Ana também desenvolve um trabalho relevante nas redes sociais, ocupando o espaço digital para promoção de diálogo e intervenções sociais.

Ana Tomazelli é Doutoranda em Ciência da Religião pela PUC-SP, Psicanalista, CHRO e Conselheira de Empresas com foco em ESG. Linkedin TopVoice, TedxSpeaker e Executiva em Recursos Humanos por mais de 25 anos, liderou reestruturações de RH dentro e fora do país. Com passagens pelas startups Scooto e B2Mamy, além de empresas tradicionais e consolidadas como UHG-Amil, Solera Holdings, KPMG e DASA (Diagnósticos da América S/A), Ana também é fundadora do Ipefem – Instituto de Pesquisas & Estudos do Feminino, uma ONG de educação e inteligência em saúde mental baseada em dados para homens e mulheres com foco em masculinidades. Co-fundadora também do Ipecre – Instituto de Pesquisa & Estudos em Ciência da Religião, uma ONG que se dedica a aprofundar o debate religioso por meio de dados, com a intenção de contribuir para a garantia de direitos, mediando conflitos e revisitando a noção de estado laico com políticas baseadas em religião, a fim de contribuir para a promoção da paz mundial.
Ana também é pós-graduada em Recursos Humanos pela FIA-USP e em Negócios pelo IBMEC-RJ. Formada em Jornalismo e Roteiro Audiovisual pela Laureate – Anhembi Morumbi, Ana também desenvolve um trabalho relevante nas redes sociais, ocupando o espaço digital para promoção de diálogo e intervenções sociais.